SANEAMENTO: E AGORA??

Passados seis anos da Lei do Saneamento e com quase 50% dos brasileiros atendidos pelo setor privado de saneamento, vivemos neste fim de outono de 2026 um momento decisivo para o mercado de saneamento no Brasil. O setor enfrenta um cenário de “go / no go” em relação à participação da iniciativa privada em novos processos de leilão e concessão de saneamento.

Em uma primeira análise, podemos resumir em cinco pontos as principais razões deste recuo:

  1. Quantidade de contratos estressados (PE, RJ e AL). Entendendo por esse tipo de contrato aquele em que a sustentabilidade econômica, financeira e ambiental não está sendo alcançada;

  2. Alto nível de endividamento da grande maioria das empresas privadas do setor de saneamento;

  3. Alta taxa de juros;

  4. Dúvidas em relação ao impacto da reforma tributária no setor de saneamento;

  5. Perfil dos ativos remanescentes a serem colocados no mercado.

A partir dos itens acima, nos permitiremos imaginar algumas ações do setor privado que possam ser relevantes no redesenho deste novo momento do saneamento brasileiro:

  1. Revisitar o atual modelo de negócios que, em sua maioria, é de responsabilidade do BNDES;

  2. Propor um novo modelo que considere o perfil dos ativos remanescentes, ou seja, baixa densidade demográfica e predominância de população de baixa renda;

  3. Buscar a repactuação dos contratos estressados, tendo como referência iniciativas já realizadas em outros setores de infraestrutura, como as Rodovias (ANTT – 2023);

  4. Implementar nas operações de saneamento as novas tecnologias já disponíveis, buscando maior eficiência operacional;

  5. Investir fortemente na capacitação técnica e operacional das equipes, preparando profissionais para uma nova realidade do saneamento, cada vez mais orientada por eficiência, tecnologia, controle de perdas, automação, inteligência operacional e sustentabilidade financeira.

Mais do que nunca, o setor de saneamento precisará combinar engenharia, gestão, tecnologia e pessoas. Não haverá transformação operacional consistente sem profissionais preparados para operar sistemas mais complexos, interpretar dados, utilizar ferramentas digitais e tomar decisões mais rápidas e eficientes em campo.

O novo ciclo do saneamento exigirá empresas mais enxutas, operações mais inteligentes e equipes mais qualificadas. A modernização do saneamento dependerá da capacidade das organizações em incorporar inovação sem perder de vista a sustentabilidade econômica dos contratos.

Em resumo, estamos em um momento em que todos os stakeholders do saneamento devem refletir sobre o que podem fazer para que esses contratos sejam repactuados e que novos modelos viabilizem a retomada do interesse do mercado nos leilões futuros.

A universalização do saneamento continua sendo uma necessidade estratégica para o país. Porém, sua viabilidade dependerá cada vez mais da capacidade do setor de saneamento em construir operações sustentáveis, tecnicamente eficientes e preparadas para os desafios da próxima década.

SP, 19/05/2026

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