A partir de 2027, o cenário de infraestrutura no Brasil passará por uma transição complexa marcada por:
- Protagonismo digital
- Transição energética
- Resiliência climática
- Reforma tributária
Para cada um destes 4 pontos, descrevemos os principais impactos nas operações do setor:
- A engenharia tradicional precisa incorporar, de forma urgente, conceitos de descarbonização, hidrogênio verde, créditos de carbono e modelagens de resiliência climática.
- A mudança no perfil do colaborador técnico passa por conhecer temas como: gêmeos digitais, metodologia BIN avançada, sensores IOT e análise de dados complexos.
- Modernização da infraestrutura tecnológica, migrando para soluções em nuvem e redes de alta velocidade para suportar o fluxo intenso de dados.
- Adequação aos efeitos climáticos extremos nos serviços essenciais como saneamento, energia e rodovias.
- Modernização profunda das redes de transmissão e distribuição de energia para suportar fontes renováveis descentralizadas.
- A complexidade regulatória e financeira gerada pela implementação da reforma tributária, impactará o mercado de PPP´s e concessões e exigirá profissionais com visão profunda de matrizes de risco e modelagens financeiras sustentáveis.
Neste ponto desta minha reflexão cabe a pergunta:
“Os recursos humanos alocados hoje na infraestrutura brasileira estão preparados para enfrentar as transformações acima descritas?”
A reposta é Não!
Enfrentamos hoje um apagão de talentos técnicos. Para reverter essa situação as áreas de recursos humanos e as lideranças do setor precisam agir em frentes emergenciais:
- Programas de requalificação: Treinar a mão de obra atual no uso das novas tecnologias operacionais.
- Parcerias estratégicas: Estabelecer parcerias com centros de formação e qualificação, estruturando trilhas de aprendizagem focadas nas dores do presente. Essas parcerias estão levando algumas indústrias à implmentação de universidades corporativas.
- Mudança de percepção: Aproximar dos estudadntes do ensino médio, demonstrando que as obras de infraestrutura são inovadoras e essenciais para o futuro do país. Nesta última década, as matrículas em cursos de engenharia, no Brasil, caíram em torno de 30% em relação à década passada.
Em resumo, podemos afirmar que para enfrentar este novo momento que chega trazendo grandes transformações, precisamos integrar visões e ações das lideranças do setor, das indústrias, academia, centro de formação e qualificação.
O resultado desta integração definirá um plano de ação robusto que nos permitirá adequar a capacitação nossa mão-de-obra a esses novos tempos.

